Com base em suas experiências, Piero Antinori lançou em 1970 um Chianti Classico DOCG Riserva, que trazia no rótulo a indicação Vigneto Tignanello - o vinhedo que dera origem ao vinho. A Tenuta Tignanello se situa perto de San Casciano in Val di Pesam entre o Vale de Greve e Pesa, no coração do Chianti Classico, 30 km ao sul de Florença. A propriedade existe desde 1346 e passou às mãos dos Antinori no século XIX.
A área tem 350 hectares, dos quais 147 ha ocupados com vinhas. Seu solo, marcado por calcário e xisto, deriva do marga marinho do Plioceno. Os vinhedos se espalham pelo terreno a uma altitude entre 320 a 400 metros, com exposição sudoeste, em que os cachos recebem generosas doses de sol durante o dia. Na estação de crescimento das uvas, o microclima também é benéfico, alternando dias quentes e noites frescas.
Para ter liberdade de vinificação, e não ficar preso às normas estritas da DOC Chianti, o marchese preferiu transformar seu tinto raçudo em Vino da Tavola (teoricamente uma categoria abaixo no sistema de classificação italiano). Em 1971, o novo tinto da casa Antinori aparece apenas com o nome Tignanello, sem a designação Chianti Classico. A partir de 1975 o corte deixa de incorporar uvas brancas tradicionais.
Hoje é classificado como IGT - Indicazione Geografica Tipica. A nova receita inspirou outros produtores e por isso se diz que o Tignanello foi uma espécie de precursor dos chamados supertoscanos.
Desde 1982, sua composição permanece praticamente a mesma, em torno de 80% de Sangiovese, 15% de Cabernet Sauvignon e 5% de Cabernet Franc. Amadurece por 12 meses no carvalho e estagia mais um ano na garrafa antes de chegar ao mercado. Normalmente é um tinto opulento, que oferece aromas ricos e complexos de frutas negras maduras, com notas de tabaco e especiarias. Na boca tem boa estrutura, intensidade, taninos macios e grande persistência.
É interessante notar que Antinori mantém a tradição toscana da Sangiovese, mas não abre mão de experimentar. Sempre com atenção na qualidade - tanto que, nas fracas colheitas de 1972, 73, 74, 76, 84 e 92 ele tomou uma decisão difícil para qualquer vinicultor e não engarrafou nenhum litro do tinto. Já na safra de 1985, para comemorar os 600 anos da família como produtora de vinhos finos, o marquês apresentou uma edição especial chamada propositadamente “Secentenario”, lançada exclusivamente em magnum, garrafas com 1,5 litro, ou seja, o dobro das normais. Trata-se na realidade de um Tignanello, embora esse nome não apareça no rótulo. É um vinho raro e praticamente inexistente, pois só apareceu naquele ano - e pelo menos uma dessas poucas garrafas enriquece a adega de um conhecido colecionador de São Paulo.
Atualmente, os negócios vinhateiros de Antinori estendem-se ao Piemonte, no norte da Itália, Califórnia e Hungria. Mas a família não esquece suas raízes toscanas. Na mesma propriedade de Tignanello há um pequeno vinhedo, plantado com uvas selecionadas, que dá origem a mais um tinto magnífico, o Solaia - cuja versão de 1997 foi considerada o Vinho do Ano 2000 pela revista especializada norte-americana Wine Spectator.
Em outras áreas da região, igualmente bem situadas, são produzidos vinhos de renome, entre os quais podem ser mencionados os tintos Guado Al Tasso Bolgheri DOC Superiore, o Chianti Classico DOCG Riserva Badia a Passignano, Tenute Marchese Antinori Chianti Classico DOCG Riserva e o Villa Antinori Chianti Classico DOCG Riserva. São todos resultado dessa privilegiada mistura do solo e clima da Toscana, mas também da visionária capacidade realizadora do marchese Piero Antinori.